Navegamos por cinco dias como se fôssemos prisioneiros. O capitão do navio real Saint Delonelley tinha ordens de nos levar diretamente para o arquipélago de Trinity e, apesar dos confortos que a influência de Verde nos conseguiu, não podíamos objetar ou discutir o rumo.
Estávamos sendo abandonados em uma ilha qualquer para que nos virássemos sozinhos. Afinal, como o governo de Delonelley poderia permitir que piratas andassem livres pelas suas ruas? O melhor era nos jogar em algum canto qualquer do mundo e nos esquecer; Ao menos agora os homens-papel poderiam viver livres de novo.
O navio nos deixou na areia clara de uma das praias de Trinity e logo virou as costas e sumiu apressado no horizonte, contente por se desfazer da carga incoveniente.
Sabrina suspirou de satisfação pisou contente na areia macia.
- Até que enfim, agora podemos continuar a nossa aventura!
- Para onde? - perguntou Pioux, se alongando sob o sol tropical de Trinity.
- Para algum lugar macio e fofinho, eu espero - ronronou a gatinha Lobz se aconchegando na areia.
- As ilhas Trinity são um arquipélago formado por três ilhas bem parecidas entre si, como o nome indica - recitei, exatamente como me lembrava de um livro que lera sobre o lugar - O que muda entre elas são os habitantes de cada ilha: em uma, eles são bondosos e se preocupam com os seus visitantes; na outra as pessoas estão todas preocupadas com problemas mundanos e simplórios; e na terceira, as pessoas são cheias de tristeza e medo e não tem tempo para se preocupar com mais nada.
- Que lugar mais estranho - disse Sabrina - Parece um paraíso de mar calmo e coqueiros carregados, mas pela sua descrição parece ser um manicômio!
- Nós precisamos é de um barco - decretou Loki - Assim podemos escolher em que ilha maluca vamos aportar, ao invés de ter que navegar a esmo por esses mares estranhos.
- Também acho uma boa idéia - disse Pioux - Vamos torcer para que essa seja a ilha dos habitantes bondosos! talvez a gente consiga alguma ajuda.
- Não façam nada de precipitado - pedi - Ainda não descobrimos em qual das três ilhas de Trinity estamos, por isso nada de conversar com estranhos!
Tarde demais. Do coqueiral já saíam alguns homens e mulheres vestindo túnicas brancas e limpas, carregando bandeijas cheias de sucos e água-de-côco naqueles copos com pequenos guarda-chuvinhas.
- Boa sorte com as abóboras! - eles nos saudaram.
- Hãã... boa sorte com as suas abóboras também... eu acho.
Logo, éramos servidos pelos nativos sorridentes, que nos colocavam colares de flores no pescoço e nos levavam até deliciosas cadeiras à beira da lagoa mais azul que já havíamos visto.
- Que paraíso! - repetiu Sabrina - Viemos dar na ilha certa!
- Um pouco mais embaixo - pediu Lobz para o massagista que já cuidava de suas costas felinas.
- Tem tantas... garotas bonitas por aqui! - sorria Loki enquanto era paquerado pelas garçonetes.
- Acho que vamos ficar aqui mais um pouquinho, o que vocês acham? - perguntou Piox, confortavelmente instalada em uma rede.
- Podemos ficar aqui o quanto quisermos! - disse, feliz da vida.
Foi só umas duas horas depois, quando os nativos de Trinity estavam nos carregando amarrados em bambus vulcão acima, que nós percebemos que aquela não era a ilha "boazinha".
- Mas como eu ia saber que essa linda praia era na verdade um hotel cinco estrelas??!! - gritei.
- Devia ter lido na placa! - respondeu o grande chefe Ono Lulu - Aquela que pusemos em cima da recepção, onde se lia bem grande: "Hotel Trinity".
- Ok, - concordou Pioux - Talvez fosse mesmo óbvio que era um hotel, principalmente considerando aquela vez na entrada da sala de karaokê em que os atendentes nos perguntaram o número de nossos quartos... E aquela outra, quando perguntamos sobre os passeios turísticos e vocês disseram seria cobrado por fora da diária... E tinha também aquele aviso na piscina dizendo "Só para hóspedes"... Certo, talvez nós fomos distraídos.
- Mas isso não é motivo para nos queimarem no vulcão! - emendou Sabrina.
- Me desculpem - pediu o chefe Ono Lulu - Mas a regra é clara: aqueles que não pagam a conta no final são levados ao vulcão e despejados dentro. Sabem como é, a gente leva o dinheiro muito a sério por aqui. Quem não paga o que deve merece cair na lava fervente.
- Uma ilha que constrói um luxuoso hotel para se aproveitar dos turistas e tirar deles o dinheiro - eu disse em voz alta - ...só pode ser aquela em que seus habitantes são ocupados com assuntos mundanos e corriqueiros - Não era uma ilha tão ruim assim de se chegar - era até bem bonita - mas era a pior para piratas que não tinham dinheiro para pagar a conta.
Daí a caminhada vulcão acima...
- Krakatôa! Krakatôa! Krakatôa! - gritavam os trinityanos-empresários.
- Algum plano muito bom? - perguntou Loki, quando pousaram nossos bambus na beirada do vulcão e começaram a dançar - Ou então um plano comum mesmo, não precisa ser muito bom. Desde que nos tire daqui, eu aceito qualquer coisa!
- Vamos nos esforçar e ver se conseguimos desamarrar as cordas! - disse Sabrina se contorcendo - Isso! Acho que consegui!
- Acho que o que você quis dizer foi "muito obrigada".. - sorriu a gatinha Lobz, que havia mordido as cordas e soltado a pirata. - Mas não podemos perder tempo!
- Krakatôa! Krakatôa! Krakatôa! - gritavam os homens - Krakatôa! Krakat... Eles estão fugindo!!!
- Peguem os prisioneiros! - gritou o chefe Ono Lulu - Eles não pagaram as contas!
De repente, éramos cinco piratas correndo enconsta abaixo, sendo perseguidos por dezenas de trinityanos enfurecidos! - Corram como o vento! - gritou Pioux - Corram como se fossem comer chocolate depois!! Corram como se um bando de hoteleiros malvados estivessem em nosso encalço!!!
- Parece que em nenhum lugar somos bem recebidos - resmungou Loki ao pular um arbusto e quase tropecar na vegetação da ilha tropical.
- Para o mar! Para o mar! - gritou Sabrina, sorrindo feliz da vida - Vamos pegar qualquer coisa que encontrarmos e fugir!
Atravessamos de um passo só o campo de golfe, a sala da recepção, a cabana de aluguel de máscaras de mergulho, o coqueiral e a praia. - Rápido! - falei, levantando espuma do mar na corrida - Peguem alguma coisa para remar!
Subimos no pequeno caiaque que estava perto da praia, derrubando a turista que estava em cima - Isso é um hotel! - Pioux disse a ela - Fuja antes que te façam pagar as contas!
- Agora vamos! - eu disse, pulando para a proa do caiaque - Ok, eu vou ser o cara que grita "Remem" e você trabalham duro aí atrás.
- Pof! - fizeram os vários remos batendo na minha cabeça.
- Remem! - disse Lobz, movendo na água a colher que conseguira pegar enquanto passávamos pelo restaurante.
- Eles chegaram na praia, estão avançando! - avisou Loki, usando um placa de "Proibido Entrar de Pés Sujos" para remar - Temos que ir mais rápido!
O pequeno caiaque balançou com o esforço que faziam quatro pessoas e um gatinho para ficarem em cima e conseguirem escapar.
- Vamos mandar a conta pelo correio! - ameaçou o chefe Ono Lulu.
- Acho que conseguimos! - comemorou Sabrina - Eles não vão entrar na água e não podem mais nos alcançar. Escapamos dos temíveis hoteleiros!
- E agora vamos aonde? - perguntei - Nesse barquinho temos 50% de chance de chegar na Trinity boa... Querem arriscar a da esquerda?
- Não. Vamos na da direita - decidiu Clara. Poucos minutos depois, uma cena conhecida se desenrolou:
- Boa sorte com as abóboras! - diziam os trinityanos saindo do coqueiral
- Hãã... essa é a Trinity "boa"? - perguntou Loki.
- Claro! - responderam seus habitantes - Aqui nós cuidamos dos nossos visitantes e afastamos todos os perigos de perto deles. Mas digam-nos, quem são vocês, nobres senhores?
- Somos piratas aventureiros que buscam algum abrigo - respondeu Pioux sorrindo e, cinco minutos depois, estávamos novamente sendo levados vulcão acima amarrados em bambus e tudo o mais.
- Devemos acabar com toda a ameaça do mundo! - gritavam os trinityanos, que aparentemente não consideravam piratas pessoas confiáveis - Vamos jogá-los no vulcão e proteger os outros viajantes!
- E quem vai nos proteger?! - rosnou Sabrina - Será que você consegue nos soltar de novo Lobz?
Outros cinco minutos depois, os cinco fugitivos chegavam correndo à uma outra praia com os defensores da paz atrás deles. - Para o caiaque! - gritei - Vamos remar para longe! Desta vez, para garantir que haja um ritmo comum eu vou ficar aqui na frente falando enquanto vocês...
- Pof! - fizeram de novo os remos (e outros utensílios) na minha cabeça.
Desta vez, quando os defensores da paz chegaram à praia brandindo suas lanças, nós já estávamos longe, rumo à útlima Trinity.
- Honestamente, acho que até sei o que vai acontecer - disse - Mas é melhor tentar a Trinity "malvada" do que ter que ficar nesse caiaque minúsculo.
Chegando à praia, fomos recebidos apenas por um homem chorando debaixo de um coqueiro.
- Boa sorte com as abóboras - ele choramingou - Eu não consigo pegar um côco, por isso sou extremamente infeliz. Ah, se o mundo fosse um lugar justo! Essa árvore não seria tão difícil de escalar, eu teria instrumentos afiados e conseguiria comer algum côco. Mas não! O mundo é um lugar horrendo e cheio de maldade! Por isso não posso comer um delicioso côco! Ai, tadinho de mim.
- Hã.. porque você não pede ajuda para aqueles caras ali na frente - disse Pioux, apontando um grupo que bebia calmamente água de côco - Eles parecem ter conseguido pegar um pouco...
- E ser enganado por eles?! Nem pensar! Aposto que eles vão deixar o côco lá em cima de propósito, só para me deixarem com fome. Ou vão derrubá-lo na minha cabeça! Vão rir de mim porque eu não consigo escalar o coqueiro e vão me excluir da ilha por ser um inútil! Ah, ninguém nunca vai poder me ajudar, como o mundo é cruel!
- Ceeerto - disse Sabrina, enquanto nos puxava para longe do homem chorando - Parece que os habitantes dessa Trinity têm problemas de confiança ou são completamente malucos! Vamos ver se arranjamos abrigo longe deles, que tal?
Assim, subimos uma colina agradável e montamos acampamento no topo, onde podíamos ver as várias estrelas no céu e nos aquecer na fogueira. Pioux trouxera alguns pratos da primeira Trinity em seu bolso mágico e comemos alegremente rindo de tudo o que acontecera.
- E vocês se lembram da cara que o Loki fez quando viu que na segunda ilha eles também tinham um vulcão?! - riu a gatinha Lobz.
- E quando a gente inventou um número de quarto só para comer no buffet? - disse Sabrina.
- Engraçado... - eu comentei - Nós só ficamos seguros na Trinity "má", que é tão preocupada consigo mesma que nem quer saber dos outros, por isso nos deixam em paz. Se bem que seria bom se alguém ajudasse o cara lá da praia a pegar um côco..Haha, lembram da gente remando feito loucos?
E fomos dormir, felizes da vida por estarmos em novas aventuras...
================ O =================
Ventava bastante no topo da colina quando acordamos. As palmeiras balançavam felizes com a maresia vinda do mar.
- Por melhor que estejamos aqui - disse Pioux esfregando os olhos - Acho melhor irmos embora. Mais cedo ou mais tarde esses caras vão dar uma desculpa qualquer e tentar nos jogar no vulcão também. Se nós tivéssemos um barco...
- O que vocês acham de construirmos uma jangada? - perguntei.
- Muito complicado - disse Sabrina - Vai demorar alguns dias... Será que os nativos vão nos deixar em paz esse tempo todo?
Enquanto pensávamos, Lobz examinava o horizonte.
- O que é aquilo ali? - perguntou a gatinha, apontando uma forma estranha no meio do mar - Parece uma grande árvore parada no meio do oceano, que estranho.
- Ah não, olhem para o outro lado! - disse Sabrina, apontando uma multidão que subia a encosta da colina - São os trinityanos!
- Matem os estrangeiros! - gritavam os nativos - ....porque sim!
- O quê?! Que razão estúpida é essa?? - gritou Loki Utak.
- Não vamos ficar e descobrir - eu disse, pegando rapidamente tudo o que tínhamos - Para o caiaque, rápido!
Mais uma vez corremos até a praia e pulamos no mar enquanto éramos perseguidos por uma turba enfurecida.
- Vamos parar de fazer isso, por favor? - pediu Sabrina, empurrando a pequena embarcação para as ondas - Chega de visitar ilhas em que somos perseguido!
- Para onde? - perguntei - Nenhuma ilha Trinity é segura, então acho melhor rumarmos para a grande árvore que Lobz viu no meio do mar. Parece ser a única alternativa, quer dizer, não envolve nenhum vulcão...
- Remem! - gritou Pioux - As ondas estão altas hoje, vamos ver se conseguimos! - A medida que nos afastávamos do terrível arquipélago de Trinity, as ondas se tornavam mais turbulentas e ferozes. O nosso pequeno caiaque não parecia que ia aguentar, ainda mais com tantas pessoas em cima - Para a árvore! Estamos perto!
Todos vimos a estranha cena: no meio das ondas se erguia uma folhagem verde, resistindo ao avanço do mar e ao tempo ruim.
- Pessoal... - comentou Utak receoso - Não parece ser bem uma árvore... Quer dizer, ela não está apoiada em nenhuma terra. E esse formato... vocês reconhecem esse formato, não?
- É um navio! - gritei espantado. De fato, a madeira do tronco se estendia como um barco, a copa servia de vela mestra e os vários cipós que pendiam do topo cumpriam a função do cordame. Era algo absolutamente inétido em nossa aventura: um navio feito de árvore e plantas.
- Quem construiria uma coisa assim? - perguntou Sabrina, mas antes que pudessemos nos recuperar do assombro, uma onda bateu sobre nós e virou o caiaque de ponta cabeça. Quase tomados pelas ondas, fomos bater no casco de madeira da estranha embarcação, por pouco não engolidos pelo mar - Se apoiem nessas raízes - disse a pirata - A gente pode escalar até o convés!
Cinco piratas quase afogados entraram no barco-planta. Enxarcados e encantados com a engenharia do lugar.
Uma porta feita de folha se abriu e de dentro saiu um velhinho vestindo uma túnica branca e um chapéu grandão. Por toda a sua roupa se viam mudas de planta crescendo e algumas flores tinham se alojado no chapéu.
- Mas será possível? - ele disse rindo. Na verdade, como percebemos depois, ele estava sempre rindo e contente - Que sorte a de vocês terem topado com a minha Barca. Sejam absolutamente bem-vindos! Meu nome é Bentèras e moro há três anos nesta grande árvore!
- Então isso é mesmo uma árvore? - perguntou Pioux surpresa.
- Sim - garantiu o velhinho - E eu sou o jardineiro.
Nos apresentamos e contamos nossas desventuras nas três Trinitys. Muito surpreso ele assobiou e do alto do mastro (na verdade, os galhos da árvore cheios de folhas e preso por cipós) desceu um ponto verde luminoso.
- Conheçam Ploc, meu ajudante. Ele é o que vocês podem chamar de "espírito da floresta" e tem sido meu companheiro durante esse tempo todo. É ele quem cuida das plantas da Barca comigo.
- Que bonitinho! - sorriu Lobz, brincando com o pequeno espírito verde - Ele faz uns barulhinhos de sino quando se mexe!
- Plim, plom! - tintilou Ploc.
- Vocês parecem bem cansados - disse o Sr. Bentèras - Porque não pedimos ao Ploc que nos prepare um chá repousante? Venham para dentro, é hora de descansar um pouco.
Esopados pela água fria, ficamos muito contentes com o convite. O chá feito por Ploc desceu suavemente e estimulou a conversa.
- O que você faz há tanto tempo no mar? - perguntei.
- Ah, isso é algo que não posso exatamente explicar! - sorriu o Sr.Bentèras - Sabe quando você tem uma vontade que precisa ser cumprida, mas que você não consegue explicar muito bem de onde vem? Um dia entendi que sentia vontade de sair pelo mar para conhecer o mundo. Mas onde morava, na Floresta Eterna, não havia barco algum. Por isso construí este daqui, com muita paciência e dedicação, raminho por raminho, sonho por sonho. Tive a ajuda de todos os meus companheiros jardineiros, que estão agora me esperando retornar. Quando a Barca ficou pronta, colocamos todos os tipos de planta aqui dentro, para que eu, em minha viagem, pudesse espalhar suas sementes por todos os cantos do mundo e fazer com que as florestas crescessem.
- E como essas árvores podem navegar no mar? - perguntou Sabrina.
- Eu diria que foi um milagre, sem dúvida. São árvores fortes que cresceram sem que tivéssemos previsto por todo o navio. Hoje eu posso dizer, com certeza, que toda a Barca é, na verdade, uma só Árvore, que bóia no oceano e está sempre crescendo.
- Plim, plim! - fez o pequeno Ploc, enquanto pulava de cipó em cipó, ajustando o curso.
A noite descia devagar. Ficamos muito contentes por termos algum lugar para repousar e pela hospitalidade do Sr.Bentèras. Ele nos contou histórias magníficas sobre suas viagens e sobre todos os perigos que a Barca tinha vencido nessa aventura. As folhas balançavam tão deliciosamente com o vento, o navegar era tão suave! Ficamos por muito tempo no convés de madeira-verdadeira como a chamava o velhinho, admirando o poder de crescimento das plantas.
- Toda a vida tem que crescer - explicou Sr.Bentèras - As árvores sobem e se enchem de folhas, os homens seguem em frente na sua estrada. Temos sempre que saber podar o que não nos serve se quisermos seguir em frente. Mas vejam que beleza esse pôr-do-sol!
- Aquela núvem tem o formato de uma mesa de centro! - disse Loki animado.
- Acho que o senhor tem mais de pirata do que imagina - eu disse ao velhinho - Poderíamos até desenhar uma bandeira para você, quem sabe uma caveira com quatro folhas ao lado. Ela representaria o seu sonho e guiaria a Barca pelos mares.
- Seria muito bom compartilhar sonhos com os jovens! Enquanto isso, porque vocês não ficam aqui? Serão meus hóspedes até acharmos algum porto.
- Olhem lá!!! - gritou Pioux, animadíssima - Quantas luzes brilhando no meio da árvore! Parecem...Parecem... São vaga-lumes! Muuitos vaga-lumes!
- Hahaha - riu Bentèras - Alguém uma vez me disse que eu tinha um exército de vaga-lumes. Acho que ele estava certo: esses insetos adoram voar pelas folhas; são meus outros companheiros, quando Ploc está ocupado, e me iluminam a noite.
- Vamos caçar vaga-lumes! - disse Lobz, pulando nos ramos do navio - São tão engraçados! Oh... você não me escapa! Volte aqui sua luzinha.. Rrrrrrr~rrrrr...
À noite, a Barca era iluminada pelo exército de vaga-lumes que davam um ar esverdeado à tudo em volta. As flores se recolheram, os cipós bocejaram, tudo ali foi se recolhendo para dormir, com exceção da dama-da-noite que ficava acima do timão, aberta e bela para a noite.
Dormimos embalados suavemente pelo balanço gostoso das plantas. Sr.Bentèras estava certo ao considerar aquele navio um milagre...
Que aventura magnífica!
======= O ========
Sabrina acordou descansada. Deu bom dia para as margaridas que brotaram em sua cabine e foi ver o sol. Saindo ao convés não encontrou o Sr.Bentèras, que imaginou ser o tipo de pessoa que acordasse cedinho.
Estranhou ao ver um cipó cortado caído no meio do convés. Também não pensou que Bentèras tivesse algum instrumento cortante na Barca.
Quando viu Ploc caído no chão, percebeu que havia algo realmente errado. O pequeno espírito sibilava ao respirar e tinha um aspecto murcho e caído.
- Pi-pi... Tu-wi! Eles levaram... o Centro - disse baixinho o pequeno ser verde luminoso - O Centro é o que faz a Barca andar.. tu~wut! Ele... ele roubou o...
- Não morra! - Sabrina pediu - Fique acordado mais um pouco! Quem levou o Centro? - Olhando em volta, a pirata podia ver ao longe o arquipélago de Trinity e o mar aberto... O coração dela parou! Encostado lado a lado com a Barca, estava um navio negro de aspecto sujo e deteriorado. Na bandeira se via uma caveira com uma espada atravessada verticalmente e quatro gotas de sangue rolando. Quem quer que tivesse subido à bordo da Barca era alguém violento e sem cuidado.
Sabrina tentou correr de volta à cabine e pegar a sua espada, mas viu o pirata que os havia abordado parado entre ela e a entrada das cabines.
- O que você fez?! Onde está o Sr.Bentèras? Onde está o Centro?! - ela gritou (quem sabe alguém iria acordar e ajudá-la).
O estranho homem sorriu maldosamente. Tinha o nariz fino e um rosto tão inteligente quanto maldoso. Parecia ser o único a bordo do navio negro e estragado.
- Meu nome é Tizrah, o Terrível - ele anunciou - Eu abordei este navio-planta e reclamo tudo como meu. Mas não me interesso por árvores tolas... Na verdade, o que me interessou foi só você, docinho..
Sabrina sentiu um arrepio quando ele pulou na sua direção e segurou-a firme com suas mãos sujas.
- Você será a minha noiva e virá comigo à bordo do Ímpeto. Agora já peguei tudo o que este navio pode oferecer a um homem como eu - Tizrah sorriu.
- Solte a bela dama Sabrina! - gritou Loki, espada em punho, de pé e pronto para o ataque - Você não pode vencer... a força do Amor!!!
- Se você for me salvar dá pra tentar ser menos bobo?
Tizrah olhou para o pirata e sorriu. Puxou Sabrina com violência até o barco negro ao lado do navio-planta. No caminho, desviou-se de Loki Utak derrubando-o com um soco.
- Hua-rá-rá-rá! - Tizrah riu - Que pateta! Eu já a escolhi como minha noiva. Vamos belezinha?
- Nem morta! - rosnou a espadachim.
Tizrah pulou e agilmente pôs o Ímpeto em movimento. Sozinho, controlava todas as velas até que se afastou da Barca.
- Sr.Bentèras! - Sabrina gritou para Loki - Procure pele espírito, ele vai te dizer o que aconteceu!
Loki, caído, só podia observar o barco negro chamado Ímpeto se afastar da Barca feita de plantas levando sua companheira.
Domingo, Fevereiro 25, 2007
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4 comentários:
Sim, eu sei... "Muito longo Charles".
Mas... eu queria contar tudo isso. Oh! Deixem para lá.
Oy! É a vez da Milla.....
Hahaha.... Oy, alguém mais achou que a terceira Ilha Trinity era uma ilha EMO? :þþþ
Amei a "barca-árvore" do Sr. Bentèras (como se lê esse nome??). Vamos caçar vagalumes! Vamos resgatar Sabrina e salvar o serzinho brilhante! Também quero uma árvore barco....
Oh não! estamos em perigo novamente!
"muito longo, Charles!"
é longo, mas um bom começo!( e longo não significa ruim!
Esse post foi um tanto... Tolkien, não acham?
Woho!
Vamos lá milla!(rimoooou)
AHHHHHHHHHHHHHHH
Posso dizer que amei?
Ri muito do hotel XD as pessoas ateh me olharam estranho o.O...
E.... Tcharam! Um confronto pirata!
Vamos nessa =)
... e...Boa sorte com as abóboras!
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