Pirates Tale

Terça-feira, Abril 22, 2008

38½ - Um curto e rápido Flashback

Eei, Robin, não vale simplesmente pular para a parte de que você mais gosta e cortar a parte mais emocionante! Vou aproveitar que ninguém se prontifica a contar o que aconteceu depois, vou contar um pouco do que aconteceu antes.
Vocês se lembram de quando os capangas de Tizrah estavam correndo com a noiva raptada, eu correndo atrás, um terceiro capanga correndo atrás de mim e Loki e Sabrina lutando contra o capitão maligno? Bom, vamos começar daí.

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Não foi muito difícil ultrapassar os piratas que corriam desajeitados com a moça nos braços. Pulei na frente deles fazendo o máximo de barulho possível, e consegui assustá-los e fazê-los parar. Aproveitei o susto e pulei na cara do que estava carregando a noiva, arranhando seu nariz e seus olhos. Ele largou a noiva para se defender, e eu já ia saltar fora quando o outro capanga, que era enorme, me agarrou com uma mão só e me segurou com o braço esticado, numa posição em que eu não conseguia fazer nada! Que humilhação! Achei que estava tudo perdido, e já estava miando por socorro quando ouvi uns estalos esquisitos e a voz de Robin atrás de mim (tentei virar a cabeça, mas estava imobilizada):
— Largue a gata. Delicadamente.
O brutamontes hesitou por um instante, mas depois abaixou a mão e me soltou, embora sem nenhuma delicadeza. Finalmente me virei e pude ver o que estava acontecendo, e tive que me esforçar muito para não gargalhar (ainda bem que os humanos são péssimos em entender expressões felinas...). Mas bem quando os dois estavam desamarrando suas espadas da cintura, o terceiro capanga, que estivera me procurando, apareceu por detrás de uma casa e mandou meu esforço por água abaixo.
Foi muito engraçado, na verdade: ele viu o que estava acontecendo e estacou, perplexo. Logo depois se recuperou da surpresa e gritou, furioso:
— São só os dedos dele, seus idiotas! Não tem arma nenhuma! — e tirou sua espada para atacar Robin, enquanto os outros dois se viravam, irritados, e Robin, que estava fingindo que seus dedos eram armas, arregalava os olhos pensando numa saída.
Instintivamente passei por debaixo de suas pernas e pulei em cima do terceiro capanga, distraindo-o e fazendo com que acertasse seu companheiro, em vez do meu. Robin, por sua vez, aproveitou para sair de do meio dos três inimigos, ao mesmo tempo em que pegou a espada que estava meio solta do cinto do capanga atingido, que por acaso era o mesmo que eu já havia coberto de arranhões. Robin aproveitou a vantagem e o empurrou em cima do terceiro capanga, que avançava com a espada em riste.
Enquanto isso, o capanga grandão terminou de soltar sua espada, que estava atrapalhando, e partiu pra cima de Robin preparando um soco poderoso. Agora era a minha vez: pulei um sua perna e apliquei minha melhor mordida, que doeu até na minha boca! Ouvi um grito de dor, e fiquei feliz que meu golpe tivesse funcionado tão bem, mas logo descobri que era Robin, que tinha levado o soco de qualquer forma, que gritava e sacudia a espada contra dois inimigos ao mesmo tempo (o capanga arranhado, meio cegado, cortado e desarmado parecia muito confuso e ainda não tinha levantado do empurrão). Minha mordido funcionou para alguma coisa: o grandão começou a sacudir sua perna e tentar se livrar de mim, e esqueceu completamente de Robin, que gritou de repente:
— Lobz, é hora do plano C!
— O quê? — miei, enquanto saltava para escapar daquelas mãos enormes. Robin, em vez de respinder, atirou a espada na direção do último capanga, agarrou a noiva, que estava caída a seu lado, e saiu correndo o mais rápido que podia para longe dali. A princípio não entendi porque ele fez aquilo, até porque o pirata se desviou facilmente da espada, mas quando olhei por trás dele entendi: Sabrina pegou a espada no ar, e vinha correndo em nosso resgate. Resgate? Olhando com mais atenção, Loki corria logo atrás dela derrubando tudo o que visse atrás de si, e atrás deles estava Tizrah, o Terrível... e mais algumas dezenas de piratas, persiguindo-os pelas docas!
De qualquer forma Sabrina me resgatou, atacando os dois capangas com muita violência quase sem parar de correr. Alcançamos Robin bem na frente da porta de um armazém, e Sabrina, que parecia muito irritada, destruiu a fechadura com um golpe para que pudéssemos entrar. Loki fechou a porta, enquanto Robin deixava a noiva desmaiada num canto e todos parávamos para recuperar o fôlego.
— Você estão bem? — perguntei, olhando para Sabrina que bufava enquanto espiava pelas janelas.
— A luta acabou na mesma hora em que vocês saíram! — respondeu Loki. — Apareceu um monte de piratas do nada, e quase ficamos cercados!
— Aquele covarde do Tizrah! Não pude dar nem um golpe nele! — reclamou Sabrina, cortando o ar com a espada do capanga. Foi nessa hora que a porta se abriu, e Robin gritou para Sabrina:
— Cuidado com a esquerda!

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

39 - A Fuga, o Retorno e Nova Perseguição

A confusão se instalara nas docas da fortaleza escondida. Uma luta entre dois bandos de piratas explodia! De um lado, a quarta legião dos Rogues, comandada por Tizrah, o terrível, subordinado direto de R., o misterioso e demoníaco líder que assombrava o mundo. De outro, um bando de piratas novatos, empenhados em sobreviver à qualquer custo!
- Cuidado com a esquerda! - gritei, apontando. Um bando de Rogues corria para dentro da sala que usávamos como refúgio. Ao meu lado, uma garota desmaiada, a filha de Bentèras que fora capturada por R. muitos anos atrás, começou a acordar.
- Onde estou?
- Não se preocupe, você vai ficar bem - respondi, enquanto Sabrina, Lobz e Utak defendiam nossa posição
- Aquela maldita Anouk Flamehair bem que podia nos ajudar! - gritou Sabrina, sua espada dançando, quase viva.
- Muito tarde para isso, acho que não vamos coneseguir - Utak respondeu.
De perto, Tizrah gritava instruções para seus homens, que ainda não haviam ultrapassado a linha de defesa que nossos três guerreiros mantinham.
- Tive uma idéia! - gritou lobz, ao arranhar um soldado - Acabamos com o líder acabamos com tudo! Vamos atrás do homem vestido de noivo!
- Certo, eu tenho mesmo um assunto a resolver com ele - grunhiu Sabrina e avançou. Os rogues, que não imaginavam que atacaríamos, se viram despreparados. O jogo havia virado para nosso lado. Com rapidez os três correram até onde Tizrah se apoiava em uma pedra. Com habilidade, Sabrina derrubou seus dois guarda-costas no chão e Lobz tirou-lhe a espada da mão; Utak avançou com sua força total, desferindo seu golpe mais furioso. Tizrah simplesmente estendeu o pé e chutou Utak. O pirata vôou e caiu com toda força perto de mim, entre os escombros.
Tizrah estava incólume e avançava para Sabrina.
Por apenas um dedo foi impedido de alcançá-la. Uma corrente se prendeu em seu braço e o puxou para trás.
- Corram, corram! - gritou Anouk Flamehair segurando um curioso dispositivo nas mãos - Retirem-se para a sala.
Os piratas correram para onde ela apontava. Tizrah se libertava da corrente com um certo esforço. Eu levantei Utak com a ajuda da garota e o carreguei para dentro da sala.
- Não vamos contê-los com essa porta! - gritou Lobz, assim que entramos todos na doca secundária.
- É por isso que eu trouxe isto daqui - disse Anouk, apontando o instrumento que carregava nos ombros. Parecia uma besta de atirar, mas carregada com um barril. Haviam partes que nos lembravam pistolas. A pirata ruiva nos empurrou para trás e virou-se para a direção em que estava Tizrah e os outros rogues. Apontou para cima e puxou o gatilho: o instrumento acionou uma fagulha, acendeu o pavio do barril cheio de pólvora e lançou-o para o teto da fortaleza. A próxima coisa que sentimos foi uma enorme explosão quente percorrer o salão e pedras caírem do teto em um estrondo pavoroso.
O teto da fortaleza cedeu. Agora, uma grande muralha de escombros nos separava dos rogues. Estávamos seguros pelo momento dentro de nossa sala improvisada no canto direito das docas. Presos, mas seguros pelo momento.
Caímos exaustos contra a parede.
- Obrigado por voltar - eu disse. A pirata de cabelos ruivos ergueu os ombros - Por sinal, que diabos de instrumento é esse?
- Isto é uma Baz's Oca. O barril cheio de pólvora é lançado como uma flecha para o alvo onde ele explode com força total. É uma arma nova, recentemente criada no mundo. Muito boa, pena que só vem com um tiro... - explicou Anouk.
Ouvíamos as pás desesperadas cavando do lado de fora. Tizrah ordenava aos piratas que sobraram que cavassem até nós atrvés dos escombros.
- Não temos muito tempo.
- Como ele está? - perguntou Lobz se debruçando sobre Utak.
- Ele não está bem! - eu disse. - Acho que não
vai conseguir se levantar logo.
- Tizrah é um homem forte. - disse Anouk - Por que outro motivo uma guerreira poderosa como eu teria sido capturada? O chute que ele levou não foi brincadeira.
Lobz lambia as orelhas de Utak, tentando reanimá-lo.
Sabrina se inclinou gentilmente e sussurrou em seu ouvido:
- Eu sei que às vezes você é chato e nos incomoda, mas por favor, não morra agora Utak, ou eu vou te matar de verdade, ouviu. Vou te fazer coisas tão terríveis que você vai desejar estar no Inferno. Por isso, por favor, fale conosco.
- Ele vai ficar bem - ouvimos uma vozinha dizer - Mas tem que comer um pouco disso - Era Bernadète, a filha de Bentèras que havia acordado agora à pouco. Ela apontava para um canto da sala onde se enfileiravam vasos com pequenas mudas de plantas...
- Não acredito! - exclamei.
- Sim, estão aqui - disse Bernadète - Estas são as Binewroots

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Tizrah estava furioso por ter deixado os piratas escaparem, nem que fosse por um instante. A sua noiva por exemplo, fugira da prisão! Isso seria a ruína se fosse descoberto. As prisões Rogues tinham que ser as mais bem guardadas do mundo! Seu chefe, R., exigiria que fosse assim. Nenhum deles sairia vivo para contar o que acontecera.
Seus homens terminaram de cavar um buraco por entre os escombros. Assim estava melhor. Ratos em uma ratoeira.
Um dos rogues estava começando a percorrer o túnel quando voou com força para o lado oposto. Tizrah piscou os olhos, sem acreditar. Os piratas, ao invés de serem prisioneiros obedientes não estavam escondidos além dos escombros. Eles saíram por vontade própia pelo buraco que ele tivera que cavar para chegar até eles. Deveriam estar mais desesperados do que pareciam.
E, além disso, o homem que ele chutara para longe estava ali, de pé e bem. Não era possível! Tizrah usou toda sua força no chute! Ninguém se levantava depois disso. A menos que... Tizrah começou a se lembrar do lado direito das docas, de onde vieram os piratas, do que ele guardava lá... Será que aquelas mudas de plantas que R. ordenara que ele guardasse junto com a garota eram....
Impossível!
- Ei, você! - Utak gritou, apontando para o comandante da quarte legião dos rogues - Agora é minha vez de mostrar a minha força!
Com um salto ele avançou e chutou Tizrah nas costelas. Defendendo-se, Tizrah atacou-o também, mas ele logo se levantou. Impossível, impossível. Aquelas plantas seriam as sagradas Binewroots, que dariam uma força descomunal aos homens?
Utak não precisou muito para derrubar Tizrah, o orgulhoso capitão dos rogues. Três chutes seguidos o levantaram do chão e o arremessaram de encontro aos escombros. Sabrina terminou com os soldados e Anouk garantia o caminho da fuga.
- Vocês me devem uma por terem sido libertados dessa confusão - disse a pirata ruiva - Vou permitir que vocês subam à bordo do melhor barco do mundo, mas é bom saber que vou cobrar esse favor ainda.
Eu assenti, erguendo Bernadète e as Binewroots para o barco. - É mesmo um lindo barco.
- E anda rápido? - perguntou Lobz subindo com um salto ágil - Porque agora toda a quarta legião está atrás de nós!
Subiram todos no barco e baixamos as velas escuras. - Segurem-se! - gritou Anouk, virando o timão para fora, para o mar!
- Eu me sinto incrivelmente forte! - gritou Utak - Deixem que eu vou enfrentar todos eles!!
- Pare com isso - ordenou Sabrina, segurando-o - O efeito da planta é passageiro. Fique onde você está e nada de reclamar. Daqui a pouco você volta a ser o fracote de sempre.
Rumamos para leste, onde deveria estar ainda a Barca, com Bentèras e Clara à bordo, seguidos pelos navios de velas negras. Anouk sabia conduzir o barco com destreza.
Bernadète segurava nas mãos o Núcleo do barco do pai e cuidava das importantes Binewroots.
- Aconteça o que acontecer, não devemos abusar das Binewroots - eu disse - Elas são importantes demais para o povo de Bentèras e se forem usadas para a guerra e para a luta vão perder todo o sentido que os antigos jardineiros queriam lhe dar. ~
- Tem razão - disse Sabrina - Por mais tentador que seja, não vamos mais usar as plantas. Ouviu isso Utak, da próxima vez você vai morrer.
Assim que o pirata abriu a boca para responder uma coisa estranha ocorreu: seu dedo virou um galho e seu nariz cresceu folhas.
- Ele está se transformando! - miou Lobz.
- Devemos estar perto da Barca! - gritei. Um pouco longe podíamos ver uma floresta no meio do mar.
- Papai! - gritou Bernadète.
Nos aproximamos do barco, dispostos a pegarmos Clara e fugir o mais cedo possível antes que os Rogues chegassem mais perto.
Bentèras e Bernadète se abraçaram, felizes de estar reunidos depois de tanto tempo.
Ela contou ao pai que traziam de volta o Núcleo e as Binewroots, e que o navio poderia voltar a funcionar e assim poderiam voltar para casa, felizes novamente.
Bentèras sacudiu a cabeça tristemente.
- Sinto muito, ainda não acabou.
- Onde está Clara? - perguntou lobz, farejando problemas.
- Ela foi capturada por um bando de rogues que estava de tocaia. Eles levaram e última Binewroot que eu havia escondido no navio; agora só falta uma.
- Você não pôde fazer nada! - gritou Sabrina desconsolada.
- Sinto muito, mas agora eu farei de tudo para ajudar. Vou junto com vocês resgatá-la, onde ela estiver! Vocês salvaram minha filha e meu sonho, eu devo demais á vocês.
- Não será preciso ir muito longe - disse Anouk, olhando através de uma luneta - Eles estão logo à frente, ainda dá para ver os navios no horizonte. Acho que meu barco é rápido o suficiente para alcançá-los.
- Mas temos que nos preocupar com eles - eu disse, apontando para trás, para os barcos que estavam nos perseguindo desde a fortaleza.
- Então é uma corrida! - disse Lobz - Quem chegar antes no alvo ganha o prêmio. Precisamos interceptar o navio que leva a Clara antes dele chegar ao seu destino, sem sermos interceptados pelos navios da fortaleza.
- Então nós vamos acompanhar! - disse Bentèras - Agora temos força total na Barca! Eu e minha filha vamos mostrar qual é o poder das plantas.
Velas de árvores abertas, cordas de cipós retesadas e bem firmes! Bentèras nos mostrou seus canhões de abóbora preparados e seus estilingues de mamonas em posição. Anouk, Sabrina, e Utak estavam à bordo do navio preto e dourado da pirata ruiva. Eu, Bentèras e sua filha avançávamos na Barca, as árvores balançando com as ondas. Lobz pulava de um barco á outro, dependendo de seu humor.
Corríamos nas ondas, atrás de Clara. Os galhos rangiam, o mastro estalava sua música de madeira.
- Temos que avançar em velocidade máxima! - disse Sabrina - Os Rogues erraram ao levarem Clara, mas erraram mais ainda ao levarem-na pelo mar. Todos sabem que este é o lar dos piratas!
- Vamos interceptá-los! - gritamos.

Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

38 - O Início da Batalha

Fiquei feliz porque nenhum deles olhava para o chão.
Enquanto Loki se postava diante de Tizrah com os olhos fixos nos dele, o capitão pirata encarava Sabrina com um sorriso desejoso, como se ela fosse uma jóia muito brilhante. Loki aproveitou a distração do inimigo e avançou com um grande impulso, erguendo a espada para um golpe fatal. Tizrah, entretanto, era assustadoramente rápido: percebeu o movimento de Loki antes de todos nós, e desembainhou a espada com tal velocidade que poderia ter matado nosso companheiro antes que ele conseguisse reagir. Isto é, se eu não estivesse a postos para agir naquele instante — eu havia me esgueirado para trás do inimigo, e quando ele se virou para Utak, saltei com todas as minhas forças para bater na parte interna do seu joelho, ao mesmo tempo tirando minhas garras para arranhá-lo. A perna do pirata se dobrou e ele perdeu o equilíbrio e a concentração, e enquanto eu saltava longe e corria para sair do alcance de Tizrah, ouvi o tilintar do aço que provava que Loki havia defendido o ataque.

Senti a ira do terrível capitão seguindo meus passos, e me afastei mais e mais, até me esconder atrás de uma parede. Dali, conseguia ver o homem que pegara a noiva nos braços, e os dois outros que se mantinham de costas para mim, olhando para meus companheiros com olhar desconfiado. Não conseguia enxergar os dois que estavam lutando, mas em segundos ouvi o barulho de alguém caindo no chão, e a voz dominante de Tizrah se dirigindo aos capangas:
— Levem a moça, e peguem o maldito gato!

Nesse momento vi Sabrina correr na direção da luta, e Robin, indeciso, fez menção de seguir os dois capangas que fugiam com a noiva. O terceiro capanga começou a me procurar com os olhos, e eu saí correndo por entre as casas. Com alguma sorte, se eu fosse rápida, eu conseguiria encontrar o caminho pelo qual a noiva era carregada.